A Importância Sócio-econômica da Citricultura no Estado de São Paulo

Prof. Evaristo Marzabal Neves

(Agosto 97)

Para se ter idéia da importância econômica e social da produção citrícola no Estado de São Paulo, as informações, a seguir, situam a citricultura em termos de geração de emprego, na ocupação de terra, formação de renda, ativação dos elos da cadeia produtiva, captação de divisas e desenvolvimento regional de outros setores da economia (prestação de serviços, transportes, comércio, etc). Os seguintes pontos são destacados:

  1. Em 1996, nas estatísticas sobre a fruticultura mundial (FAO, 1996), os citros ocuparam o 1º lugar com um volume físico de produção que alcançou 22,8% (93,8 milhões de toneladas) da produção total mundial, (411,6 milhões de toneladas), à frente das bananas, uvas e maçãs;
  2. Na citricultura mundial , em 1996 a laranja com 63,2% (59,7 milhões de toneladas) da produção de citros se constituiu na rainha das frutas, por ser a mais conhecida e apresentar o maior volume de produção;
  3. Embora seja cultivada em mais de 100 países (108, no levantamento da FAO), a produção de laranja mostra uma distribuição pouco uniforme. Em 1996, apenas dois países – Brasil com 34,8% e os EUA com 17,8% - detiveram ao redor de 52% da produção, ficando a outra parte dividida com mais de 100 países;
  4. O Brasil detêm um pouco mais de 1/3 da produção mundial de laranja que, também, se distribui de forma desigual entre os Estados brasileiros. Segundo o FIBGE (1996), apenas 4 Estados produziram cerca de 94% da produção em 1996, que foram: São Paulo (82,9), Sergipe (4,01%), Bahia (3,70%) e Minas Gerais (3,29%). A produção brasileira estimada foi de 428,0 milhões de caixas de laranjas. Em termos de área colhida, em 1996 foi de 851,5 mil hectares, onde São Paulo deteve 74,0%. Minas Gerais, 5,90%, Bahia, 5,48% e Sergipe, 4,88%, representando estes 4 Estados 90% do total brasileiro de áreas colhidas;
  5. Por sua vez, o Estado de São Paulo, que detêm mais de 4/5 da produção brasileira de laranja, mostra uma distribuição pouco uniforme, pois apenas 4 Divisões Agrícolas Regionais (DIRAs), das 14 existentes no Estado, retêm cerca de 88% do número total de pés de laranja e próximo à 85% (323,7 milhões de caixas) da produção paulista, estimada em 381,7 de caixas na safra 96/97, pelo Instituto de Economia Agrícola (Informações Econômicas, fev. 97). As DIRAs de Campinas, São Carlos, São José do Rio Preto e Barretos constituem o conhecido cinturão citrícola de Estado, que devido ao volume de produção (quase 325 milhões de Caixas) é conhecido como o maior centro produtor do mundo, uma colheita de 297,9 milhões de caixas (safra 96/97);
  6. Para a ABECITRUS (Associação Brasileira de Exportadores de Cítricos), o perfil do setor citrícola no Estado de São Paulo é definido pela existência de quase 20 mil estabelecimentos agrícolas espalhados em 204 municípios; 12 empresas na produção industrial (sucos, óleos essenciais, pelets, etc) e muitos outros agentes econômicos nos setores de distribuição, transporte e apoio logístico na estrutura portuária. O mundo citrícola gera cerca de 400 mil empregos (diretos e indiretos) no Estado de São Paulo. Somente na área agrícola, a laranja absorveu 8,5% e 7,16% do total da demanda da força-de-trabalho rural, entre as 46 principais culturais nos anos 1993 e 94, respectivamente (Instituto de Economia Agrícola). Para o Instituto de Economia Agrícola, a citricultura, o café, demais frutas e culturais perenes e as olerícolas constituem o conjunto de explorações agrícolas mais intensivas em mão-de-obra; portanto, geradoras de emprego.
  7. Em termos de área plantada no Estado de São Paulo, os citros (laranjas, limões, tangerina, mexerica, ponkan e murcote) ocuparam cerca de 9540,3 mil hectares no ano agrícola 96/97. Segundo o Instituto de Economia Agrícola, as estimativas mostram que a laranja com seu 879,3 mil hectares só ficou atrás da cana-de-açúcar (excluindo as pastagens) e à frente do milho (723,5 mil há, soja (484,9 mil) e café (267,0 mil há), que se posicionam entre as cinco mais importantes explorações vegetais do Estado de São Paulo. Par 46 culturas, a laranja ocupou 11,28% e 9,71% da área cultivada no Estado de São Paulo nos anos 1993 e 94, respectivamente, o que evidencia a sua importância em termos de ocupação territorial. Em 1997, representa cerca de 13,5%;
  8. No que concerne ao valor bruto da produção ( receita bruta para os citricultores), a citricultura tem uma enorme relevância para a economia agrícola paulista. Pesquisa do Instituto de Economia Agrícola mostra que na safra 94/95, os citros (laranja, limão e tangerina) representavam 13,7% (R$ 951,5 milhões) e, a laranja, 8,55% (R$ 590,0 milhões) do valor bruto da produção vegetal paulista, considerando os 23 principais produtos vegetais da agricultura do Estado. Os citros ficaram atrás da cana-de-açúcar (30,67%), cuja área cultivada chega a triplicar em relação a área plantada com laranja;
  9. Em 1996, em termos de divisas, as exportações de sucos de laranja concentrado e sub-produtos e de frutas de mesa captaram próximo a US$ 1,6 bilhão, sendo que o suco concentrado congelado representou cerca de 87% (US$ 1,392 bilhão) destas divisas carreadas com exportações, segundo a Secretaria Econômica do Ministério da Fazenda. Verifica-se que, em apenas dois elos da cadeia (setores de produção e de processamento), a citricultura paulista gera em renda interna e receita de exportação pouco mais de 2 bilhões;
  10. Na safra 95/96, a produção mundial de suco concentrado de laranja alcançou 2,211 milhões de toneladas (41,3%) foram responsável por quase 90% da produção mundial (USDA, FHORT, fev.97). Como o Brasil exportou 1,05 milhão de toneladas e os demais países produtores apenas 269 mil toneladas, incluindo os USA, credita-se ao Brasil cerca de 80% do suco transacionado mundialmente, na safra 95/96. Daí se comentar que, no mundo, de cada 10 copos tomados de suco concentrado de laranja, oito são de suco brasileiro, e,
  11. Como nos anos 95/96, o destino para processamento de suco concentrado da produção paulista de laranja foi de 74 e 73% respectivamente, é de concordar com NEVES e NEVES no artigo "Suco Concentrado de Laranja: Uma Commodity sui generis"(Ver. Preços Agrícolas, set. 96, p. 11) que enfatizam "no mundo nenhuma commodity é produzida numa região tão pequena como o suco de laranja concentrado: 85% do suco transacionado no mercado vem de apenas 4 sub-regiões do Estado de São Paulo – isso concentra benefícios e acentua crises".

Estas informações evidenciam a importância da citricultura paulista, que coloca o Estado em 1º lugar mundial na produção de laranja e de suco concentrado e maior exportador internacional de suco concentrado e de farelo de polpa citrica (para alimentação animal)